Renda da mulher e independência como objeto de enfrentamento à violência doméstica

Durante muito tempo a mulher esteve à frente dos lares assumindo apenas tarefas domésticas. Como um trabalho subjugado e de pouco valor do ponto de vista econômico, os homens até então assumiam sua soberania econômica ignorando que sem este trabalho doméstico e sem a colaboração da mulher em casa cuidando de tudo, ele não teria o seu tão conquistado poder econômico. As coisas não mudaram muito neste aspecto, mas mudaram no que diz respeito ao novo papel da mulher nas ruas, nas empresas e principalmente nas universidades. Hoje o número de mulheres com alto nível acadêmico é representativo e esta mesma mulher ainda continua habilidosa em seus afazeres domésticos, no entanto com renda para delegar, caso necessário , à empresas que podem contratar homens ou mulheres nas tarefas domésticas para que lhe sobre tempo para pensar, se cuidar, e muitas vezes em pé de igualdade conduzir negócios e atividades antes atribuídas apenas aos homens.

Agora onde este discurso interfere nas relações homem e mulher? Em que momento a violência começou a ficar tão exposta? Foi quando esta mulher agora educada, informada e dona de seus desejos de crescimento pessoal e profissional começou a recusar ser humilhada, usada ou agredida. Neste momento, ao se impor, a mulher potencializou as formas de violência contra ela, que passaram de agressões verbais e golpes à extremos como  assassinato por motivo fútil, pois o homem agressor passa a se sentir afrontado diante de um não e que para ele  a única forma  de deter a autonomia e independência desta mulher é matando-a. Agora, da mesma forma, ela também potencializou suas defesas ao se informar. Uma mulher bem informada pode se antecipar aos ataques de um homem cheio de ódio e descontrolado emocionalmente. Nos ataques à mulher, o homem normalmente é movido por sentimentos extremos de raiva, que o impedem de tomar atitudes sensatas ou lógicas, mas a mulher ainda assim pode ter equilíbrio emocional e  conseguir o mais difícil em casos de violência, os tais elementos ou provas que ironicamente são rastros que quase sempre não temos para proteção da mulher. A idéia é usar o conhecimento e a maturidade de raciocínio para prever e impedir atos de violência antes que ocorram, mas o maior desafio é argumentar de forma que a justiça aceite usar mecanismos legais para agir contra o agressor antes que cometa o crime. Desta forma, os piores casos e os mais recorrentes são os de ameaça que em sua grande maioria um dia se tornam agressões efetivas que não puderam ser evitadas por falta de elementos ou de provas.

A pergunta é como uma mulher sem nenhuma experiência ou conhecimento legal pode enfrentar situações de agressão ou ameaça, quando a resposta das autoridades às suas denúncias e registros de ocorrências é de que não existem elementos? Ela simplesmente volta conformada ao ambiente de agressão e termina sendo morta ou gravemente ferida. Já uma mulher informada, luta, argumenta, se  rebela contra o sistema falho, pois vê além daquela resposta um ato de negligência.

Desta forma, é extremamente importante que cada vez mais a mulher se informe, estude, trabalhe e lute por direitos de igualdade e principalmente por credibilidade. A maior barreira enfrentada por mulheres quando denunciam crimes de ameaça ou violência doméstica é a falta de credibilidade. Só acreditam nas denúncias da mulher depois de consumadas as agressões físicas ou o assassinato da mesma. Assim, a evolução da mulher em seu nível de informação tem sido consideravelmente valiosa neste enfrentamento.

A mulher ainda contribui hoje de forma importante com a renda familiar e ainda temos uma parcela enorme da sociedade onde as mulheres são responsáveis por manter quase que integralmente as despesas da casa. Infelizmente, junto com estes dados ainda temos um grupo de mulheres que mesmo exercendo atividades que a transformem em provedora do lar, igualmente se deixam agredir ou suportam agressões consideradas leves. Com isto, acreditamos que o fator mais importante não é o econômico, mas o de informação e conhecimento, ou seja, não é ganhar bem, mas ter formação que a faça se impor diante do homem por convicção.

Autor: Maria Nascimento

Química Bacharel (UFRN), Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFPE), Química de Produtos Naturais(UFSCar) , Profa de Farmacognosia e Fitoquímica (UFPE/AEP, UFS e UNIT), especialista em Direito Administrativo na área de Licitações (AMRJ-Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro), Desenhista e Ilustradora(Campinas/1996), Profa de Desenho (Oficina Cultural Sérgio Buarque de Holanda-SP), Artista Plástica, Marchand e Curadora (Ilha das Cobras-RJ, Câmara Cultural-RN, ATC-sp, etc) . Membro do ResearchGate (portal de Pesquisadores), SOAMAR (Sociedade dos Amigos da Marinha - Medalha em 2017), ACISC (Associação de Comércio e Indústria de São Carlos) e ABS (Associação Brasileira de Sommeliers-São Carlos). Desenvolvedora de ideias em Ciência e Inovação voltadas para Ciências Farmacêuticas(Software NEWCLUS Fenasoft 2008) e Educação inclusiva (Maratona Sebrae RN 2018). CEO da Empresa Maria Nascimento Ciência e Arte. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0946116788223210

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